Por que tantas religiões?


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11/11/2020 #Opinião #Editora Concórdia

É possível seguir uma só?

Por que tantas religiões?

          Essa semana fiquei confusa e sem respostas diante da seguinte situação: eu estava conversando com um profissional de saúde e, pelo meio da conversa, ele me disse que seguia a religião Espírita. Eu lhe disse que eu era da Igreja Luterana, e isso me pareceu soar como uma coisa terrível para ele. Sofri com essa reação, mas sofri mais ainda quando a pessoa não quis ouvir o que eu queria lhe dizer. Espíritas (esse em específico) acreditam em Deus, o Deus da Bíblia.

          A minha interrogação se dá em torno disso, como é possível existirem tantas religiões em torno de um só livro, de um só Deus? Qual a diferença entre reformados, pentecostais, arminianos, calvinistas, etc, se existem tantas denominações que me perco? É possível seguir uma só religião? Pois todas, até onde posso perceber, me parecem coerentes até certo ponto, isto é, todas tem suas heresias. Como saber qual seguir? Já que todas dizem seguir o mesmo livro, porém com diferentes interpretações. 

           Desde já obrigada e no aguardo da explanação.”

Marilei Magali Cardoso

Psicóloga

 

          São perguntas diante das quais não podemos nos omitir. Revelam uma sadia preocupação da parte de quem as faz. A fé confrontada, como aconteceu com a irmã que enviou a pergunta, é fé presente, pois só não haveria confronto se ela não estivesse presente. Por isso, uma preocupação que brota de uma fé confrontada por opiniões diferentes a ela, sempre pode ser vista como sadia. Em razão disso, nossa primeira reação diante da pergunta enviada é esta: você, irmã em Cristo, age sabiamente em buscar auxílio para esclarecer questões e dúvidas que foram colocadas diante da sua fé. Tentaremos ser instrumento para que tal auxílio chegue a você.

          “Se Deus é um só, por que tantas religiões? É possível seguir só uma? Qual escolher, pois, afinal, cada uma se apresenta como detentora da verdade?” Nada mais natural que apareçam essas perguntas em meio à diversidade de religiões existentes. E a resposta para elas? Pois é, como encontrar uma resposta adequada? Antes de tentar encontrá-la, faz-se necessário apontar para um fato. Apenas argumentos humanos em prol de uma ou de outra religião não possuem o poder para convencer alguém a encontrar a paz proveniente da fé que confessa. Por isso, cara irmã, aquela pessoa espírita com a qual você conversou jamais mudará de opinião se o poder para tanto depender da sua capacidade de argumentação. Nem você, nem eu, nem ninguém no mundo possui tamanho poder.

          O caminho a seguir é outro. Nós, cristãos, não fomos chamados e enviados para provar a verdade da nossa fé. Nossa missão é outra: testemunhar com palavras e ações aquilo que cremos. Essas duas ações são capazes de produzir dois resultados:

Primeiro – despertar em outras pessoas o desejo de conhecer a razão por que falamos o que falamos e agimos como agimos. É a oportunidade para acontecer conosco o que o apóstolo Pedro, na sua Primeira Carta 3.15, descreve como “estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós”.

          Segundo   – uma vez atraídas pelo nosso testemunho, poderemos expor às pessoas a razão pela qual falamos e agimos do modo que elas notaram. E qual a razão? Somos assim por causa da ação de Deus em nossa vida, dando-nos, por meio de Jesus Cristo, seu Filho, aquela vida que provoca o interesse de outros para saber mais sobre ela. Usando as palavras do apóstolo Pedro, para pedir razão da esperança que há em nós. Porém, a nossa exposição ainda não é a coisa principal. Sozinha, poderá ser simpática, contudo não eficaz junto daquele com quem falamos. Mas mesmo assim é o que nos compete fazer. Por quê? Porque Deus Espírito Santo, a seu tempo e a seu modo, poderá se valer do nosso testemunho a respeito da ação de Deus por meio de Jesus, para agir também no coração daquela pessoa com a qual dialogamos ou convivemos.

           Da mesma forma, não possuímos o poder para convencer você da verdade daquilo que crê e confessa sendo cristã. Também não está ao nosso alcance provar alguma coisa a esse respeito. O máximo que podemos fazer é lhe apresentar o testemunho bíblico sobre a questão que a preocupa. Convencê-la de que aquilo que você crê é a verdade em meio a tantas denominações religiosas, é obra acima de nossas forças, contudo possível a Deus Espírito Santo. Aliás, convencer é missão do Espírito Santo, já prometida por Jesus, ao dizer aos discípulos: “Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei. Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo”(Jo 16.7,8). Também cabe aqui lembrar outras palavras de Jesus registradas no mesmo evangelho de João, capítulo 8, versículos 31 e 32: “Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Portanto, pela permanência na Palavra de Jesus continuamos seus discípulos, conhecemos a verdade e esta nos libertará das ameaças dos erros e nos amparará diante das dúvidas, confrontos e inquietações decorrentes de outros ensinos e posicionamentos religiosos. Na Palavra de Jesus age o Espírito Santo, por isso chegamos ao conhecimento da verdade que realmente liberta. Essa palavra, cara irmã, Deus tem trazido à sua vida com muito amor. Com ela você terá a ferramenta certa para utilizar na árdua tarefa de confrontar o que você e outros crêem, não com a intenção de ostentar com orgulho sua certeza para se sobrepor às outras crenças, porém, na humildade de alguém muito agraciada por Deus Espírito Santo, agradecer ao Senhor e agir com testemunho junto a quem crê diferentemente. Não esqueça, contudo, que deve ser um testemunho acompanhado de amor à verdade e de amor ao próximo. O testemunho humilde carregado de amor aproxima daqueles que não comungam da mesma fé conosco, enquanto que um testemunho com ar de superioridade espiritual facilmente espanta e fecha a porta para nossa ação.

          Para concluir, deixamos um convite a você. Já foi feito a alguém nos tempos de Jesus aqui na terra. Tendo aceito o convite de Jesus para segui-lo, Filipe encontrou a Natanael e lhe disse: “Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José. Perguntou-lhe Natanael: De Nazaré pode sair alguma coisa boa? Respondeu-lhe Filipe: Vem e vê(Jo 1.45,46). Na Palavra de Deus que o Senhor graciosamente faz chegar à sua vida; na literatura variada que a nossa Igreja coloca à disposição de todos; nas Confissões reunidas no Livro de Concórdia e no amparo que você pode receber do seu pastor com suas pregações e seu ensino, encontra-se aquilo para o que o Senhor convida você e todos os cristãos permanentemente: Vem e vê! Naquilo que você verá está o meio utilizado pelo Espírito Santo para mantê-la na fé, para conhecer a verdade e usufruir da bendita paz proveniente daquilo que você crê, mesmo dentro do imenso barulho provocado pela existência de tão impressionante diversidade de crenças. Portanto, venha e veja aquilo que Deus Espírito Santo revela e por meio do que nos convence da sua verdade. Deus a abençoe!

Paulo Moisés Nerbas

Professor de Teologia Sistemática

Seminário Concórdia

 

*Texto publicado na edição de novembro de 2015.

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